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"inventário dos dias" de hiv e aids

(imagens da morte - morte das imagens)

Desde 2016 desenvolvo um trabalho existencial, poético e filosófico em torno das epidemias de hiv e aids. Um dos produtos deste trabalho é minha dissertação de mestrado em Psicologia Social (UFRGS), na qual trato da paradoxal disposição da morte - enquanto imagem e experiência concreta - na história das epidemias de hiv e aids no Brasil.

 

Ao perceber que tais epidemias se revelam sob duas faces contraditórias e entrepostas, marcadas pela presença e ausência da morte, me lanço no resgate de imagens e narrativas que contam sobre essa experiência histórica, no intuito de compreender como a morte se revela e se oculta nesse cenário. Fundamentado em uma crítica materialista histórico-dialética, procuro capturar e traduzir os elementos, contradições e determinações concretas que (re)produzem tal fenômeno. 

 

Nesse processo, desvelo imagens da morte que, por um lado, expressam a realidade e seus fenômenos através de uma falsa consciência - uma visão mítica, fetichizada, fragmentada e estranha às relações sócio-históricas. Tais narrativas, além de (re)produzirem uma práxis alienante e estigmatizante, anunciam uma renúncia política e ideológica da verdade e da história: uma verdadeira morte das imagens - que caem em esquecimento, abandono e negação.

 

Por outro lado, descubro imagens que tratam da morte como uma experiência genuína, elaborada através de uma visão sensível de mundo, e que manifestam uma posição de renúncia à morte das imagens e das imagem da morte como única possibilidade do corpo, afeto, sociabilidade e histórias das pessoas soropositivas sem, porém, renunciar sua memória e sua concretude.

Ao trabalhar com tais imagens, além  de fazer emergir elementos da verdade histórica da experiência das epidemias, proponho uma remontagem e uma reescritura da sua história, fundada em uma política da memória.

Dezembro de 2022.

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